Persistência da memória . Salvador Dalí

Persistência da Memória . Salvador Dalí

“Foi num fim de tarde em que me sentia cansado e tinha uma leve dor de cabeça, que é coisa extremamente rara em mim. Estávamos para ir ao cinema com alguns amigos e no último momento decidi não ir. Gala iria com eles e eu ficaria em casa para ir cedo para a cama. Tínhamos terminado o jantar com um Camembert forte e depois de todos terem saído fiquei durante muito tempo à mesa meditando sobre os problemas filosóficos do “super-mole” que o queijo apresentara à minha mente. Levantei-me e fui para o meu estúdio, onde acendi a luz para dar uma olhadela, como era meu hábito, ao quadro que estava a pintar no momento. Este quadro representava uma paisagem perto de Port Lligat, cujas rochas eram iluminadas por um crepúsculo transparente e melancólico; em primeiro plano uma oliveira com os ramos cortados e sem folhas. Eu sabia que a atmosfera que tinha conseguido criar através desta paisagem havia de servir de cenário para alguma ideia, para alguma imagem surpreendente, mas não fazia ideia do que seria. Estava quase a apagar a luz quando instantaneamente “vi” a solução. Vi dois relógios moles, um deles pendendo lamentavelmente nos ramos da oliveira. Apesar da minha dor de cabeça ter aumentado a ponto de se tornar muito dolorosa, preparei avidamente a minha paleta e comecei a trabalhar. Quando gala voltou do cinema duas horas mais tarde, o quadro, que se tornaria um dos mais famosos, estava terminado.”

Salvador Dalí

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